BURNOUT – Quando o trabalho ameaça o bem estar do trabalhador

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BURNOUT – Quando o trabalho ameaça o bem estar do trabalhador

Ao longo da história da humanidade o trabalho ocupa um papel central na vida das pessoas. Na atualidade, as pessoas, em geral, investem uma parcela substanciosa de suas vidas na preparação e dedicação ao trabalho. No entanto, nem sempre o trabalho propicia o crescimento, reconhecimento e independência profissional; ao contrário, não raras vezes, causa insatisfação, desinteresse, irritação, exaustão, despersonalização, tensão etc. Dessa forma, há a tendência de que o trabalhador, ao sentir-se assim, tenda a aumentar esse sofrimento, o que pode levar em casos mais intensos ao surgimento da Síndrome do Esgotamento Profissional, conhecido com Burnout.

Burnout é um adoecimento que emerge como uma resposta crônica aos estressores que ocorrem na situação de trabalho. O termo burnout significa ‘queima ou combustão total’ e costuma ser empregado para denotar um estado de esgotamento de energia, associado a uma intensa frustração com as situações de trabalho. Essa síndrome é caracterizada por comportamentos de fadiga, depressão, irritabilidade, aborrecimento, perda de motivação, rigidez e inflexibilidade. Segundou Vieira (2010) essa síndrome consiste em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional e pessoal.

A exaustão emocional é caracterizada por falta ou carência de energia e entusiasmo, o qual poderá levar o trabalhador ao cansaço extremo e a sensação de não ter mais energia para enfrentar situações do trabalho. A despersonalização ocorre quando o profissional começa a se distanciar das pessoas que devem receber o serviço ou cuidado, podendo o mesmo, apresentar sintomas como descomprometimento, conduta voltada a si mesmo, alienação, ansiedade, irritabilidade e desmotivação. E a baixa realização pessoal e ou profissional, é composta por sentimentos de incompetência e de frustração nos dois âmbitos. É caracterizada pela tendência que o trabalhador tem de se auto avaliar de forma negativa.

Essa síndrome tem sido considerada um problema social e de grande relevância. É um dos agravos ocupacionais mais importantes na sociedade atual, pois interfere na qualidade de vida do trabalhador, podendo acarretar problemas na saúde física e mental do mesmo. Um estudo realizado em 2015 pela International Stress Management Association (Associação Internacional do Controle do Estresse) apontou o Brasil como o segundo país com o maior nível de estresse do mundo, de cada dez trabalhadores, três sofrem da Síndrome de Esgotamento Profissional.

O profissional acometido pela síndrome tende a sentir-se exausto, sofre de insônia, úlcera, dores de cabeça, fadiga crônica e frequentemente adoece, bem como pode apresentar quadros de ansiedade, depressão e problemas cardiovasculares.

O burnout acomete profissionais de diversas áreas, principalmente os profissionais do cuidado, como: enfermeiros, agentes comunitários de saúde, professores, médicos, policiais e bombeiros.

Contudo, essa síndrome – que é caracterizada por gerar exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional e pessoal – pode ser gerenciada, desde que sejam utilizadas estratégias de enfrentamento. Nesse sentido, as estratégias são fundamentais nesse processo, pois poderão minimizar o sofrimento bem como, e principalmente, prevenir o burnout. Dentre as estratégias mais utilizadas estão: o coping, atividades físicas e alimentação adequada, técnicas de relaxamento, conhecer os seus limites e respeita-los, treinamento organizacional, suporte social e psicoterapia.

Por Renata Francisca Alves Santos, Psicóloga Clínica, Especialista em Avaliação Psicológica
CRP 12/11904 – renatapsi03@gmail.com

FOTO: SINSPURS

Psicóloga Renata Francisca Alves Santos

 

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