PRECISAMOS DE TODOS OS NOSSOS DIREITOS! Direito se amplia, não se retira!

PRECISAMOS DE TODOS OS NOSSOS DIREITOS!
Direito se amplia, não se retira!

Muito tem se falado e escrito sobre o projeto de Lei Complementar nº. 37/2017, de iniciativa da Prefeitura de Rio do Sul, que pretende “fazer economia” às custas de mais precarização no trabalho dos servidores públicos municipais.

Não se trata de uma simples mudança na concessão das férias. E sim, de implementar uma mudança, sem qualquer diálogo, que modifica radicalmente a vida de milhares de famílias riosulenses.

O pior tem sido o método que tenta justificar, e ao mesmo tempo, ganhar apoio da opinião pública, para aprovação desta equivocada proposta. Primeiro utilizam-se de pseudos movimentos, que não existem na vida real da cidade, mas que aparecem quando lhes é conveniente. Não tem a coragem, como nós, de assinar seus nomes, colocar seus rostos a mostra em assembleias ou qualquer outra forma de organização pública. São articulados em ambientes “secretos”, totalmente estranhos à vontade popular, ou pelo menos, a vontade da imensa maioria que depende dia a dia do serviço público que nós servidores prestamos a sociedade.

Usam como discurso a velha, famigerada e discriminatória estratégia de atribuir ao servidor público a imagem de sujeitos que não gostam de trabalhar.

Se auto conclamam o direito de interferir em uma relação que é trabalhista, como qualquer outra, com a justificativa que o nosso trabalho envolve o dinheiro público, o dinheiro deles. Oras, imaginem se os servidores da saúde pública fossem interferir na relação trabalhista desta gente. Sim, poderíamos. Pois as condições degradantes, as centenas de horas extras, o assédio, o esforço repetitivo diante de insuperáveis metas, e tantas outras mazelas que sofrem nossa população cotidianamente nas empresas destes que se escondem, recaem todos os dias na saúde pública. Para acumulação de riqueza individual desta minoria, a sociedade riosulense paga a conta todos os dias. Poderíamos também citar a sobre jornada nos Centros de Educação Infantil, pois enquanto os trabalhadores são obrigados a cumprir hora extra nas empresas dos “homens de bem”, tão preocupados com a coisa pública, somos nós que estamos lá cuidando e educando os filhos da classe trabalhadora. E assim acontece em diversas áreas.

Pois bem. Nós servidores dizemos: parem os senhores de transferir a conta que é sua para o conjunto da sociedade.
Somos nós servidores que cuidamos da saúde de nosso povo, da educação de nossas crianças, da assistência a quem mais precisa, da mobilidade e da limpeza de nossa amada cidade. Quem mais deixa sua vida de lado para servir à sociedade nos momentos de maiores dificuldades como em nossas enchentes? É, são os servidores que mesmo com suas próprias casas e vidas atingidas estão sempre lá, dando todo o suporte necessário para a cidade e seus cidadãos reconstruírem a vida.

Voltamos a afirmar. O referido Projeto de Lei trata de uma relação de trabalho que cabe o diálogo entre o empregador, que é a Prefeitura, e os empregados, que somos nós servidores públicos. Não admitiremos estranhos a esta realidade a intromissão oportunista e cheia de más intenções.

Mesmo diante de tantas dificuldades, a imensa maioria de nós é apaixonada pelo que faz. E por isso servimos a sociedade com todo zelo e dedicação. Mas como todo e qualquer trabalhador, exigimos respeito.

Como afirmaram outros textos que circulam pelas redes sociais: “não aceitamos perder a possibilidade de escolher o período que iremos tirar férias”. Diferente dos trabalhadores da iniciativa privada, não temos uma série de direitos, como FGTS, Seguro Desemprego e outros. E ainda existe quem tenha a coragem e petulância de dizer que nossos direitos conquistados com muita luta são “benesses”.

Alertamos a sociedade riosulense, em especial aos quem precisam de fato do serviço público, que o interesse real por trás destas manifestações não é fortalecer a coisa pública, pelo contrário, querem diminuir o serviço que nós servidores prestamos a sociedade.

Veja você mesmo, pois estes pseudos manifestantes da moralidade pública jamais se manifestaram sobre o tamanho da estrutura política da Prefeitura. Não questionam as centenas de cargos de livre nomeação, que tem os maiores salários da administração, e por isso são de fato o alto custo da máquina pública.

Querem fazer economia do dinheiro público com o chapéu alheio. Com a retirada de direitos do elo que eles consideram o mais fraco da corrente. E não pense que querem economizar para que a sociedade tenha mais acesso e qualidade de serviço público.

Nós servidores nos manifestamos dizendo que não seremos o elo fraco que se rompe. Estamos organizados e mobilizados para enfrentar qualquer retrocesso. E defenderemos com unhas e dentes que direito se amplia, não se retira.

Marilene Espindola
Presidenta do Sinspurs

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